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Exterogestação: a gravidez pode durar mais de 9 meses?

Atualizado: 26 de Abr de 2019


Segundo essa teoria, os três primeiros meses de vida do bebê fora do útero ainda podem ser considerados parte da gestação. Entenda!



Formulada pelo antropólogo Ashley Montagu, mas viralizada pelo pediatra Harvey Krap, a teoria da exterogestação diz, basicamente, que a gravidez não dura apenas 9 meses e sim 12 – ainda que último trimestre aconteça fora da barriga da mãe. A ideia é fazer uma transição lenta do bebê para a vida extra-uterina. E como isso acontece na prática? Os pais devem recriar ao máximo as sensações que a criança tinha quando ainda estava no útero durante esse período.

“O bebê nasce absolutamente dependente. Ele não enxerga, não fala, não escuta, não anda, não senta, não sustenta a cabeça, não se relaciona. Por um período, depois do parto e enquanto se desenvolve, ainda precisa ter mais apoio, o que seria a continuidade da gestação, mas fora do útero”, explica Moises Chencinski, pediatra, homeopata e presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

É preciso entender que o bebê não nasce condicionado aos hábitos dos adultos. No útero, ele recebe alimento constantemente pelo cordão umbilical, em livre oferta. Ao nascer, está programado para satisfazer a fome quando deseja e não de três em três horas, por exemplo. É importante que essa adaptação – e muitas outras pelas quais ele precisa passar - seja feita aos poucos, por isso o especialista recomenda que o recém-nascido durma no quarto dos pais nos três primeiros meses, inclusive usufruindo de cama compartilhada.


“Há formas seguras de fazer isso,” garante.

Exterogestação, na prática

O uso de carregadores, como o sling, para que o recém nascido se sinta bem próximo da mãe, a reprodução de sons que lembrem os ruídos do organismo materno, como o barulho de um secador de cabelos ou um "shhhhhhh" nas voz dos pais ou cuidadores, são algumas das atitudes que ajudam o bebê a lembrar do útero e a sentir que está seguro. Veja as dicas do pediatra para tentar uma transição mais tranquila do recém-nascido para a vida fora da barriga da mãe:


  • Usar o sling, aquela faixa que mantém o bebê próximo ao corpo da mãe, coloca-o em constante movimento. Assim como acontece no ambiente intrauterino, ele tem a oportunidade de caminhar sempre junto dela, além de ouvir sua voz e seu coração bem de perto, como era na gravidez.

  • No banho de ofurô, a banheira que lembra um balde, o ambiente mais compacto e com água faz com que o bebê lembre daqueles nove meses que passou no líquido amniótico e o faz relaxar.

  • A shantala é recomendada a partir do primeiro mês e, apesar de não ter estreita relação com o que acontece dentro do útero, também ajuda no processo de adaptação e relaxamento do bebê.

  • O aleitamento materno exclusivo até o sexto mês e em livre demanda faz bem tanto pelos nutrientes essenciais que a mãe fornece para o bebê quanto pela proximidade entre os dois.

  • Luz baixa e pouco barulho são importantes para não agredir os olhos e ouvidos do recém-nascido, que ainda são muito sensíveis. Além disso, é preciso tomar cuidados com as visitas. O bebê capta a agitação do ambiente, da mãe e pode ter cólicas.


"Isso favorece uma criação com mais apego. Não é exatamente recriar o útero fora do corpo, mas tentar uma transição e manter alguns cuidados que ele tinha na gestação sem um corte abrupto, o que prejudica a segurança e a confiança,” explica Chencinski.


Bom pra todo mundo

Os principais envolvidos no processo da exterogestação são a mãe e o bebê. O mais importante para tornar a transição mais tranquila tanto para um quanto para o outro é o contato entre eles. Ambos precisam estar próximos e aproveitar o tempo juntos para se conhecer. Enquanto o recém-nascido se familiariza com a voz, o colo e o cheiro da mãe, ela entende quantas horas ele precisa dormir por dia, quantas vezes faz cocô, a que horas precisa mamar, etc.


Embora exija um pouco mais de paciência dos pais, é essencial respeitar o ritmo do bebê sem impor regras. Ele vai se adaptar ao novo mundo, mas dentro do seu próprio tempo e de acordo com as suas necessidades.



Fonte: Revista Crescer

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